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...



 continuação terceira etapa

 

O que adianta   possuir  se o vazio um dia   vem e você vira escravo de padrões ,de imagem , de cobranças ?

  Que ótimo que tive uma infância como a  minha !Brinquei na  rua ,segui procissão , visitei doentes, pedi benção de meus  avos,acreditei em  assombração no mês de agosto ,lambuzei em algodão doce , ri demais de palhaços ,embalei e fiz comidinha para minhas  bonecas ,fui dama de honra ,nadei em córregos , cantei “ a barata diz que tem “,apanhei porque menti,assisti filme de  Mazzaropi ,achava Tarzan o homem mais forte do planeta, tive medo de dentista ,acreditei em fadas ,ameacei fugir de casa depois de levar bronca,dancei quadrilhas,achava  Roni  Von lindo,duvidei que o homem chegou a lua ,levei lancheira de plástico para a escola, conheci o mar aos 11 anos ,tirei retrato em preto e branco,escrevi diário,participei de Grêmio Estudantil, estudei em escola pública ,colecionei Revista Fantasma , colecionei figurinhas , andei de roda gigante com o menino mais bonito da época ,assisti pela Tv o milésimo Gol de Pelé ,fiz curso de Socila para debutar,esperei chegar aos quinze anos para namorar, usei cabelo chanel, tamanco de plataforma  e calça de pamtalona ,usei bolsa de crochê  a tira colo,escutei rádio AM, chorei a morte de Elvis ,usei anel solitário,aprendi a fazer tricô ,dancei  BeeGees  ,levei fora de namorado,fiz permanente no cabelo,li e reli cartas de amor ,assisti discursos de Tancredo Neves/ Diretas Já adorava os  desenhos de Henfil, mudei para a capital para estudar ,namorei na praça , tomei cachaça e não gostei,escandalizei com o filme Império dos Sentidos ,assisti Chacrinha “quem não se comunica se estrumbica “ ,fui ao Mineirão torcer pelo Cruzeiro, 

Chorei a morte de meus amigos prematuramente,troquei de religião ,cantei pelos “bares        da  vida " ,não tirei carteira de habilitação  ,não terminei meu curso de inglês , fiz teste psicológico,cursei Universidade Federal  (uau), dancei em bailes de formatura ,tremei falar em público,ganhei serenatas, tive um fusquinha 66, não disse ao meu pai o quanto eu o amava , curti  noites de luar , passei reveillon de branco a espera de sorte, rezei para Santo Antonio para não me deixar solteira...

E nunca deixei de acreditar  em Papai Noel...

 



Escrito por Mônica às 09h14
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Continuação

ESCREVI EM 3 ETAPAS PORQUE O ESPAÇO AQUI É PEQUENO,ASSIM PEÇO QUE LEIA OS TEXTOS DEBAIXO PARA CIMA .OBRIGADO .

13/12/2005
 

No dia vinte cinco   era hora de ir para a rua e mostrar para primos e vizinhos o que você havia ganhado do Papai Noel.Usava também emprestar seu brinquedo, mesmo que morrendo de ciúmes ,trocar, experimentar o brinquedo do outro. Aprendíamos assim a dividir, a ceder, a não possuir,a emprestar pelo simples prazer . Como ficava alegre nossa rua! Quando ganhei minha primeira bicicleta a sensação de liberdade veio junto. Descobrir como frear,  pedalar forte nas subidas, levar susto com buzinas era bom demais! Nesta época usávamos vestido e como boa menina deveria me preocupar em não  deixar aparecer nada. Caso você não gostasse do presente nada de reclamação pois  Papai Noel iria ficar zangado e aquela hora ele já estava longe .As vezes o presente não era o esperado mas a "raiva "passava logo pois a vontade de brincar era maior.Freqüentávamos as  casas dos vizinhos ,algumas com quintais imensos ,com gangorra de corda e muito verde .Ali montávamos vários cenários para  nossas brincadeiras preferidas :mocinho e bandido,brincar de casinha ,imitar artistas de circo, fazer fogueira,brincar de pique de esconder ,de chicotinho queimado.A maioria hoje não sabe o que é isso infelizmente.Conviver com primos e primas e primos de nossos primos foi para nós uma rica experiência .Percebíamos  a rotina de cada casa.Como nesta época poucas mães trabalhavam fora a presença materna era sempre requisitada para "apartar "brigas ,fazer papel de advogado de defesa ou para dar colo.Bom mesmo era escutar :"vem tomar café "as três horas da tarde!

Em nossa inocência  aprendemos valores que nos acompanharíamos por toda a vida .A nós filhos e netos de comerciantes nos ensinaram que Natal é muito mais do que presentes ,que a grandeza desta data está em sentir a vida se renovando,a esperança se fazendo presente e a certeza que o amor torna nos mais humanos e solidários ."Vocês podem querer tudo mas pensem em quem não tem nada para comer ou nem chance de ter uma vida melhor ?É fácil ir até a prateleira e dizer :pronto é seu !Por algumas horas vocês vão achar que são felizes ,a vaidade de possuir o brinquedo da moda vai tomar conta do coração de vocês .Mas aí vocês terão mais 364 dias para lembrar que Natal não é só isso e que o que se ganha fácil ,facilmente vai embora.O Natal está além de presentes ,de ceias ,de bebidas ."

  Hoje percebo que com a chegada dos amigos ocultos  ,das mesadas , do “você tem que me dar” ,do mundo  on-line , das casas de cercas elétricas e prédios que são  verdadeiros clubes privados Papai Noel não habita mais o dia a dia das crianças. É tido como ultrapassado quem acredita neste bom velhinho.Mal sabem  que acreditar neste velhinho é acreditar que podemos sonhar e realizar nossos sonhos ,mesmo que  para isso tenhamos que esperar muitos anos.É saber que nada que é realmente  significativo  é conseguido na moleza .                                                                                                                                                                                  Nesta  nesta noite festiva o AMOR se  universaliza  em todos os povos .

 



Escrito por Mônica às 09h08
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Quando criança (e olha que já faz tempo ) tinha o hábito de deixar um par de sapatos debaixo da árvore de Natal  na esperança de ganhar presentes. Era o único dia do ano que podíamos ficar acordados até depois da meia noite e deitávamos depois da Missa do Galo. A cidade ficava repleta, num animado vai e vem pelas praças, lojas, bares. Observávamos as pessoas naquela correria para adquirir um brinquedo ou ficar perto do Papai Noel nesta noite mágica.

Nesta dia parecia que a cidade inteira estava na   rua. Famílias de mãos dadas, pessoas idosas, namorados, crianças de todas as idades,a banda se apresentando na praça  . Notava que algumas pessoas só saiam de casa duas vezes ao ano no Natal e Sexta Feira Santa. Chamava-me atenção as roupas, pareciam que estavam guardadas muito tempo. Achavam tudo bonito e atraente. Cumprimentavam, desejavam Boas Festas, sorriam felizes, parecia que aquela noite não havia lugar para a tristeza.   Muitas famílias tinha o hábito de montar presépios na sala de  visita .A porta sempre aberta era um convite para que você entrasse sem cerimônia .Ali ficava exposto um bonito e bucólico cenário .Minha avó paterna montava um presépio de mais de três metros, usando papel amassado imitando montanhas e o caminho feito com areia colorida para os três Reis Magos.Havia também  um lago artificial feito com papel celofane .O que me chamava atenção era os animais e seus filhotes animais do campo ,do lar e da selva conviviam ali na santa paz do Senhor.A cada ano uma nova família era exposta .Havia um majestoso galo que nos passava a idéia que a meia noite seu canto seria ouvido na cidade toda .Não sei se em Belém existia todos aqueles animais estrategicamente  expostos.            ”  E tendo nascido Jesus em Belém da Judéia no tempo do rei Herodes, eis que uns magos vieram do oriente a Jerusalém, dizendo: Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no oriente, e viemos adorá-lo.”(Mateus cap. 2).

Compravam brinquedos variados :peão, bonecas, trator, autorama, carrinho de boneca cavaquinho, bola,cavalinho de madeira ,soldadinhos ,forte apache , bicicleta, jogo de memória, pequeno construtor, trenzinho elétrico, fogãozinho pula-pula, corda ,brinquedos Playmobil, jogo de botão,velocípede ,tanque de guerra ,boneca Susi.Era preciso esperar o dia vinte cinco para então saber o que íamos ganhar. Não tinha essa  de reclamar ou trocar o que você havia ganhado. Os presentes eram embrulhados em papel, nada de laços ou fitas. O prazer de rasgar a embalagem era algo inesquecível! Bonecas que falavam, choravam ou do tamanho da gente era o sonho de toda menina. Existia    divisão de brinquedo, cada idade com o  seu. Ganhei minha primeira bicicleta (uma monareta ) junto com meu irmão aos dez anos . Até então andava numa bicicleta aro 14 emprestada por uma vizinha. Usava também os avós presentear com um envelope com algum dinheiro e era regra guardar na poupança.   Para a faixa etária de 16 anos gravador, toca discos violão,estojo de maquiagem, agradava em cheio.

Continua no próximo post uma vez que as lembranças são muitas e o espaço é pequeno.



Escrito por Mônica às 21h38
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